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domingo, 27 de novembro de 2011

Ilusão

Bom, olá a todos. Faz frio em Brasília, e parece que não vai mudar tão cedo.

Tal texto foi escrito por mim por volta de Abril ou Maio, não me recordo muito bem, mas já tem um certo tempo. Nunca gostei muito dele, mas já tive críticas positivas sobre o trabalho, então decidi postar e deixar que vocês decidam se é bom ou não.

Ilusão

Olhou pela janela. A chuva castigava severamente a pequena cidade interiorana.

Locke pensava se teria sido uma boa idéia viajar cerca de três mil quilômetros apenas para buscar tranqüilidade, coisa que talvez conseguisse ao trancar uma ou duas portas de sua casa.Porém, algo naquela casa o fascinava. Logo ao visualizar a entrada, seu padrinho e acompanhante de viagem sugerira um hotel, uma pousada, algum lugar que fosse diferente daquela casa que mais parecia um mausoléu, mas algo interessava Locke naquela fúnebre paisagem.

Estavam hospedados apenas à 3 dias, e John, seu padrinho já pressentia algo inusitado na casa.Ja não se surpreendia quando adentrava à cozinha e se deparava com louças totalmente bagunçadas. Louças essas que eram arrumadas metodicamente por Locke. Este por sua vez, permanecia absorto em suas idéias para um novo romance de horror, não se importando com o que acontecia ou deixava de acontecer dentro da casa.

Locke já estava acostumado com lugares sinistros, visto que seus outros romances foram escritos em lugares igualmente assustadores. O escritor já se hospedara no famoso castelo de Conde Vlad Tepes, ou melhor, Conde Drácula, e tinha escrito o final de seu best-seller na caverna onde, supostamente, jazia a porta do inferno.Seu currículo deixava-o tranqüilo para escrever em um local adverso como aquele.

Retirou sua famigerada máquina de escrever do seu estojo, preencheu de fumo seu velho cachimbo e acendeu-o.

Locke, então, começou seu novo romance. Enquanto escrevia, não percebeu a materialização de algo estranho atrás dele"

-Olá -disse o espectro sem forma definida.

Locke não se assustou, nem ao menos se alterou.

-Quem és tu?

-Bom que perguntas- Respondeu o espectro assumindo a forma de uma mirrada e pequena garota, vestida com um vestido branco encardido, cabelos negros, pele alva e olhos extremamente verdes -Eu sou alfa e omega, sou o tempo e o espaço, sou o correto e o errado. Sou presente e ao mesmo tempo invisível. Sou. Não sou.

-Interessante. Porém ainda não compreendi o que queres comigo.

-Senhor Stephanius Augustus Locke, venho informar que sua presença nesse mundo material está renegada. Você conhece o obscuro à fundo, e esses que tem este dom não devem ficar a vista dos espiritualmente ignorantes.

-Você demorou a chegar. Espero este dia desde que Obadiah me avisou de sua visita.

-O Espectro não vai em busca de ninguém. Achar-me é tarefa sua. Somente sua.

-Entendo. Porém, deixo de entender por qual motivo minha vivência termina.

-A humanidade ainda prevalece pois na história das eras sempre fora ignorante. Em algumas ocasiões, pessoas que conheciam o lado negro se manifestaram, indo contra o senso comum, e sem culpa causando incontáveis guerras e desastres. Meu designo é impedir que tais coisas voltem a acontecer.Seus livros são reveladores. Até demais.

-Nobre és seu designo. Porém devo alertá-lo que antes de ir, preciso terminar meu último romance. É meu único pedido.

-Isso pode ser arranjado.

O espectro piscou forçadamente, então algo impensável aconteceu. As gotas de chuva pararam de cair. O relógio parou na hora exata de 3:20 da manhã e um silêncio mórbido tomou conta de todo o lugar. Locke se surpreendeu com o que acabara de presenciar. Abriu a janela e tocou as gotas de água suspensas, fazendo-as desaparecer.

-Temos todo o tempo que quiseres, Locke.

Por 10 anos ininterruptos, Locke escreveu incessante, alheio a tempo, cansaço ou velhice, coisas que não mais o atingiam.

-Pronto. Está concluído. Meu último trabalho.

-Então, é hora...

Como num relâmpago, desapareceram sem deixar vestígios.

John acordou assustado, como se pressentisse o mal. Correu até o quarto de Locke, onde encontrou apenas um amontoado de folhas deixadas abaixo do velho cachimbo. John não entendeu como Locke conseguira terminar um livro tão rápido. Porém, John não se abalou, captou perfeitamente a mensagem deixada por seu sobrinho.

Em poucos meses o livro fora publicado sobre o nome de "O Espectro", e rapidamente se tornou um grande sucesso, ficando semanas no topo das vendas.

E quanto a Locke? Este nunca mais fora visto, apesar que várias pessoas julgam terem avistado-o visitando timidamente museus, exposições e livrarias. Outros contam também que nessas aparições, um papel caia de seu bolso e logo em seguida ele desaparecia do ar.

Os que tiveram a chance de ver tais papéis, nunca mais esqueceram a inscrição em alto relevo neles, dizendo apenas:

Illusio.

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