Estou aqui hoje para abrir uma nova página na história do Cantinho de Kelvinouteiro. A partir de hoje, nós teremos um convidado especial trazendo crônicas e contos de qualidade aqui no blog.
Estavam reclamando que eu não postava direito aqui? Pois então, esse carinha vai trazer um pouco mais de novidade no dia de vocês.
O nome do jovem padawan que a partir de agora já está na lista de integrante é Marco Magalhães.
Por enquanto é só. Não foi discutido outros detalhes como datas de postagens regulares, ou um espaço reservado para as suas crônicas, mas fiquem com um dos textos dele.
Boa leitura õ/
Estava acabado.Nota do Autor: Alguém percebeu que Nicolau = Papai Noel?
Tudo o que passara anos criando aos poucos, parte por parte jazia ali na sua frente, e ele impotente encarava o amontoado de partes queimadas.
Puxou para si uma garrafa quase vazia, abriu-a lentamente e despejou o resto do conteúdo em um copo. Tomou um gole. Era amarga, mais do que sempre fora. A tragédia presenciada pelo homem deixava a bebida mais intragável, porém ainda muito convidativa.
Acendeu um cigarro e abriu uma gaveta onde, solitária, estava guardada uma pistola semi-automatica. Lentamente levantou-a à altura das têmporas. Sentiu o frio aço ao encostar a arma na cabeça e puxou o gatilho.
Nada.
Estava vazia. Abriu a gaveta abaixo da anterior e retirou um pente. Encaixou na arma e a destravou. Estava disposto, mas agora existia outro fator. Era certo que a arma iria disparar, e não seria outro ensaio como da vez anterior. Agora era real, e ao perceber seu estomago gordo revirou-se de uma vez.
Reuniu toda a força que no momento não tinha mais, e levantou a arma novamente. Encostou-a na cabeça, mas não puxou o gatilho. Procurou motivos para não fazer o que estava prestes a fazer. Não encontrou. Por outro lado, olhou mais uma vez para a mesa, onde descansava, totalmente perdido, seu trabalho de anos.
Puxou o gatilho.
Morria ali um sonhador. Um gênio. Morria ali o maior de todos os gênios, cuja contribuição seria de grande valia à toda humanidade. Morreu no anonimato. Morria ali, Nicolau.
E sobre a mesa, agora ensanguentada estava sua maior criação. A única que não se concretizou, e a mais importante. Incompleta para sempre, a máquina de criar amor.
Em outro canto da cidade, a máquina de criar dinheiro trabalhava incessantemente, protegida e guardada, ateando fogo em tudo o que era abstrato e sentimental.
Aos poucos, também morriamos nós.
Por hoje é só, abraços do Tio sumido Kelvinouteiro õ/


1 comentários:
Gostei da crônica... Talvez isso mostre como nós estamos encarando a época do Natal hoje em dia (com presentes e comércio), perdendo o foco principal que é amor..
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