domingo, 16 de maio de 2010

Medo do escuro


Numa noite fria, nos becos escuros, em vielas solitárias... Onde esconde o seu medo?

Todos têm medo do desconhecido, daquilo que não podem prever nem reconhecer. No escuro da noite é onde seus medos saem de suas tocas e vem até você para assombrá-lo por mais uma interminável noite. Todos os seus monstros, todos os seus fantasmas...

Ouve-se ao longe um alfinete caindo, um som agudo e alto que pode ser ouvido à quilômetros de distancia. Um arrepio corre sua espinha, fazendo arrepiar todos os seus pelos de forma sinistra.

Olhe mais para a frente, um vulto se move rapidamente em sua direção. Será um assassino, ou um assaltante? Não se sabe, ele virou na esquina, talvez nem tenha te visto.

Se você pudesse ao menos voltar para sua casa, ou para algum lugar iluminado, pelo menos, teria te poupado de ter essa visão. No breve lampejo de luz vindo de uma varanda qualquer, se vê alguém golpeando outro alguém no chão com infindáveis golpes de facadas. A cada estocada, sangue voava, manchando a lâmpada, fazendo-a tomar um tom mais vermelho. Nem tripas, nem sangue podiam fazer o primeiro alguém parar de golpear o pobre coitado ali no chão.

Você corre, pedindo a Deus que aquele alguém não tivesse te visto, nem que encontre algo pior em seu caminho. Vagando pela rua, que a cada momento ficava mais fria, você consegue ter uma visão um pouco melhor. Alguns postes de iluminação começavam a funcionar.
Pensou por um instante, estava perto de sua casa, nada mais aconteceria.

Errado. Primeiro ouves gritos fracos e abafados vindo de dentro de alguns terrenos e casas. Depois, mais ao longe, outros gritos chamavam sua atenção, vindos em sua direção e passando direto. Eram grito desesperados, agudos, como se estivessem fugindo do diabo.

Corres a mão no bolso e tira sua chave dele, já nem pensando em nada. O inimaginável já havia acontecido, não havia nada mais para se rezar, suas forças já se esgotaram e agora, a única coisa que você quer é sentar num canto e chorar, como uma criança.
Finalmente chegas em casa. Agradece a Deus por mante-lo vivo, gira a chave na fechadura e se joga pra dentro, trancando novamente de forma desesperada.

A última coisa que pensas antes de desmaiar é que nunca mais, sairás de casa, no frio e solidão da noite para comprar um saco de leite.
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