segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Crônica: Freio de mão

Boa noite pessoas.

Hoje, como um combo semanal, trago uma crônica especial que fala tanto de sofrimento, como a respeito de sentimentos desesperadores.

Espero que vocês gostem dela.

Nota, recomendo ler ouvindo a música sugerida.



Freio de mão

Por Kelvinouteiro


Francis era um garoto solitário.

Com seus 12 anos de idade ele podia contar seus amigos apenas uma de suas mãos.

Com 14 ele se isolava nos cantos da sala de aula com fones de ouvido alto sempre que conseguia um tempo nos intervalos entre as aulas.

Aos 16 ele parou de frequentar o colégio e começou a vagabundear na rua.

Hoje, com 18 ele já não sabe o que vai comer amanhã, pois ele saiu de casa e está trabalhando em um supermercado, tentando suster a si mesmo em uma pequena quitinete.

Não é como se ele tivesse se revoltado do nada, ele tinha um motivo.

Vamos voltar 10 anos no passado.

Francis, no seu aniversário de 8 anos estava feliz pois além do fato de seu pais, que era caminhoneiro, finalmente poder passar um final de semana em casa depois de meses, ele também poderia abrir o pacote vermelho que estava na beira da árvore de natal.

Ah, eu não contei? Francis faz aniversário no dia 26 de dezembro. Não que esse fato tenha alguma importância para a história.

Quando seu pai chegou de viagem, ele o abraçou forte como nunca antes o tinha feito. Chorou em seu ombro e contou como estava esperando por aquele dia. Seu pai nunca foi um homem de se emocionar, mas com certeza “lágrimas masculinas” caíram de seus olhos.

Infelizmente, como era de se esperar uma tragédia ocorreu. Sua mãe faleceu naquele dia de uma maneira babaca, assim como todas as outras mortes no mundo.

Como o seu pai correu do caminhão diretamente em direção a seu filho, ele esqueceu-se de puxar o freio de mão, que causou tanto na perda do caminhão que desceu ladeira abaixo em direção a mar aberto, como também a sua mãe que estava terminando de fechar o portão quando o caminhão veio abaixo.

Traumas, aniversário destruído, natal destruído, família destruída, tudo veio abaixo por conta de um freio de mão.
Seu pai se tornou um alcoólatra indomável, violento contra si mesmo. Nunca antes havia decido um dedo em direção a seu filho, já após a tragédia, o fazia a cada gargalo.

Creio que agora o motivo esteja claro, porque Francis se tornou negro, diferente do seu Eu de 10 anos atrás.

Quero terminar a história aqui, não me sinto bem falando de mim mesmo na terceira pessoa.

Não culpo a mim mesmo, nem a meu pai. Aliás, eu o entendo, e em seu lugar também me bateria.

O meu recado é: Puxe sempre o freio de mão, seja ele real, ou o de suas emoções antes de fazer algo sem pensar.

Assinado: Francis.
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