quinta-feira, 21 de julho de 2011

And I will try again -q Crônica: Someday in the Rain

I'm back, oh yeah -q

Mais uma vez o café com bolachas dessa semana vem com uma crônica. Acho que estou inspirado esse mês... e antes que perguntem, não, eu não estou apaixonado -Q xD

A Crônica dessa semana, pra quem não viu no meu Twitter essa semana, teria o tema romantismo õ/
Apesar de que quase nada do que eu escrevo é totalmente romantico, eu tentei o meu máximo dessa vez xD

O nome dele é também uma das músicas que está tocando lá em baixo na caixa de músicas: "Suzumiya Haruhi no Yuutsu - Someday in the Rain" õ/

Boa leitura õ/
Someday in the Rain

“Um dia na chuva”

Por: Kelvinouteiro

Certo dia, os colegas de quarto de Lúcio (um moço jovem de vinte e poucos anos) perguntaram o motivo dele gostar tanto de andar sozinho em dias chuvoso. Com um ar de tranquilidade, entre um suspiro e outro, ele respondeu:

“Há alguns anos atrás nos meus dezesseis ou dezessete anos de idade, quando eu ainda estava terminando meu segundo ano do ensino médio, quase sempre após as aulas eu costumava sair com meus colegas.

Gostávamos de ir à lanchonetes, fliperamas, shoppings, parques e vários outros lugares. Todos os dias íamos para algum lugar diferente e voltávamos quase sempre juntos, mas são esses ‘quases’ que mudam qualquer história.

Eu me lembro que era inverno, por que eu estava usando três casacos, um embaixo da camisa, outro por cima dela e o terceiro por cima dos outros e era de gola alta, e ainda estava com um cachecol por cima. Nós tínhamos decidido ir para uma lanchonete dessa vez, ‘comemorar’ o primeiro pagamento de um desses meus colegas, indo tudo, claro, na conta dele.

Um pouco irônico, mas foi um fim de tarde divertido. Eu lembro de ter visto ele olhar várias vezes para a carteira. Provavelmente estava pensando que não achava que iria conseguir pagar tudo aquilo sozinho, mas, mesmo assim até ele estava rindo com todos.

Teria sido mais divertido se eles não tivessem trazido as suas namoradas para lá. Eu não gostava muito da ideia de ‘segurar vela’.

Não me lembro da desculpa que usei, mas lembro que fui o primeiro a ir pra casa.

Minha casa ficava a mais ou menos uma hora e meia a pé dali, então como eu estava sozinho poderia fazer o que mais gostava enquanto isso... pensar.

Não demorei muito a perceber que já estava escurecendo. Apesar de saber que lavaria uma bronca por chegar tão tarde o que mais me preocupava era que começara a chuviscar e eu não tinha um guarda chuva.

Assim que a chuva começou a ficar forte, corri para a primeira cobertura de loja que vi e como a chuva parecia que não iria passar tão cedo, sentei na calçada. Me escorei na parede e coloquei a cabeça entre os joelhos.

Fiquei assim por um tempo. Quando dei por mim, já estava cochilando. Até de repente ser acordado por uma moça que trabalhava na loja e tinha ficado para fecha-la.

Me levantei quase que em um pulo, esfreguei meus olhos e depois de pedir mil desculpas para a moça, saí de volta na chuva envergonhado. Assim que ela me viu na chuva, pediu que eu esperasse pois ela poderia me dar uma carona no guarda chuva dela, já que aparentemente eu não tinha um.

Estranhei o fato dela convidar um completo estranho para uma carona, mas os três raios que caíram após ela terminar a frase me impediram de recusar alguma coisa.

Nós andamos devagar enquanto conversávamos assuntos banais, como esse tempo úmido e como ambos odiavam os dias chuvosos. Mesmo com assuntos simples, aquele tempo foi bom. Eu estava me divertindo e ela também parecia estar pois o seu sorriso aumentava maior a cada mudança de assunto.

A conversa mudou tópicos tantas vezes que fomos de gostos musicais até preferência de faculdade. Talvez até falaríamos de nossas infâncias se tivéssemos tido mais tempo. Quando dei por mim já estávamos na frente do portão da minha casa.

Nos despedimos meio sem jeito. Ela se virou, eu entrei para dentro do portão e fiquei um tempo parado atrás do portão vendo ela indo embora quando, pra minha surpresa, ela se virou e berrou do outro lado da rua:

- A propósito, meu nome é Helen.
- O meu é Lúcio – Respondi ainda surpreso.
- Foi bom conhecer você, Lúcio – Disse ela enquanto fazia ondas numa poça D’água com o pé – Você me deu um motivo para continuar... – eu tive a impressão que uma lágrima  correu o seu rosto... talvez fosse só a chuva.
- Continuar? – Indaguei – O que você quis dizer com ‘continuar’?
- Sabe... – continuou – ... acho que passei a gostar de dias de chuva – ela sorriu pela última vez antes de se virar e ir embora.

Essas foram as ultimas lembranças que tive daquela noite... Aquela lágrima correndo pelo seu rosto disfarçada por um sorriso, ela indo embora e desaparecendo rua à baixo, e aquela ultima frase “...acho que comecei a gostar de dias chuvosos”.

Minha punição por pegar chuva foram dois dias queimando em febre sem sair da cama. Quando eu finalmente melhorei, após o fim das aulas e procurei pela Helen na loja onde ela trabalhava, mas no lugar dela eu encontrei um senhor de meia idade que parecia ser o dono da loja. No momento que eu perguntei sobre Helen para ele, um sorriso gigante abriu no rosto dele e então me perguntou:

- Ah, você deve ser o Lúcio, certo?
- Sim, eu mesmo – Desconfiei por ele saber meu nome. Ia perguntar de onde ele me conhecia, mas...
- A Helen me falou muito de você – ... mas ele foi mais rápido.
- Sério? Aonde ela está? Ela está de folga hoje? – Uma pergunta em cima da outra. Eu já nem me importava de deixar aquele senhor confuso.
- A Helen... – gaguejou. Ele engoliu seco antes de continuar – a Helen não está mais aqui.
- Como assim? Ela se demitiu? – Perguntei ainda mais confuso.
- Sim, mas não é só isso... Ela também não mora mais nessa cidade.

Milhões de pensamentos passaram por minha cabeça naquele momento.

Vendo a visível confusão mental, ou só com pena de mim mesmo, ele começou:

- Vou te explicar. Respire fundo e preste bastante atenção. A Helen tem uma rara doença no coração. É grave, mas tem cura. Há um hospital nos Estados Unidos que é especialista nesse tipo de doenças e lá ela poderia fazer a cirurgia que poderia salva-la. Apesar de saber disso, ela não queria abandonar os pais. Mesmo que acabasse morrendo ela gostaria de morrer perto deles. Sua família era a sua única preocupação, até que apareceu você.
- Há dois dias atrás ela chegou aqui só para dizer que estaria indo no mesmo dia para o Estados Unidos fazer a cirurgia, pois ela tinha encontrado um motivo a mais para poder continuar vivendo, e quem sabe, voltar aqui para a cidade. E então, no fim do expediente ela me disse adeus e pediu para entregar isso para você. – Ele estendeu pra mim um pacote mãos e eu fui embora pra casa com o pacote nas mãos, sem abri-lo.

No meio do caminho, sentei num banco de praça e abri o pacote. Dentro dele tinha o guarda chuva que ela usou naquela noite e um bilhete com os seguintes dizeres:

Fico feliz que você tenha me procurado, sério mesmo, fico muito feliz. Espero que goste do meu presente, estou te dando ele pra que você possa lembrar de mim e da noite em que nos conhecemos. Seja muito feliz, Lúcio

Chorei como se fosse uma criança pequena, mesmo estando rodeado de pessoas naquela praça.

Desde então nunca mais ouvi falar dela.

Ainda tenho o guarda chuva dela, e o bilhete que ela deixou está guardado dentro do meu livro favorito. Espero nunca esquecer dela, pois foi ela quem me fez aprender a gostar da chuva.”
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